Já estão à venda os novos cartões-postais Resende de ORo

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Punições de Kafka



O Teatro de Bolso de Resende apresenta hoje (sexta-feira), amanhã e domingo, o espetáculo "Punições de Kafka", com o grupo de teatro formado por alunos dos cursos de Direito e Artes Visuais da Universidade de Barra Mansa (UBM). As sessões de sexta e sábado acontecem às 19h e no domingo às 20h. Os ingressos podem ser adquiridos no local pelo preço de R$ 10,00. Estudantes e idosos pagam R$ 5,00.

A peça "Punições de Kafka" é resultado de um grupo de estudos sobre Literatura, Direito e Poder coordenados pela professora doutora Beatriz Wey, responsável também pela produção e figurinos. Esta parceria entre os cursos de Direito e Artes Visuais foi fundamental para uma reflexão sobre os conflitos e as relações sociais presente em nossas vidas e as questões da contemporaneidade de forma interdisciplinar. O trabalho de direção e dramaturgia tem a assinatura do professor Almir Ribeiro, que reuniu em seu roteiro os contos "A Metamorfose", "O Veredicto" e "Na Colônia Penal", de Kafka.

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Após fracasso, governo sepulta Primeiro Emprego

Da Folha Online

Após quatro anos de fracassos sucessivos, o programa Primeiro Emprego, uma das principais bandeiras da campanha eleitoral de 2002, será sepultado oficialmente pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. O programa, que dá vantagens a empresas que ofereçam vagas a jovens de 16 a 24 anos, foi excluído do projeto do PPA (Plano Plurianual) 2008-2011, que irá hoje ao Congresso. Como o PPA orienta os Orçamentos a cada quadriênio, não haverá mais verba para o Primeiro Emprego a partir de 2008.

Segundo o Ministério do Planejamento, o governo concluiu que o diagnóstico que embasava o programa, segundo o qual as empresas não contratam iniciantes por falta de incentivo, estava errado. "Num segundo momento, vimos que o problema era a qualificação dos jovens", disse o secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos, Afonso Oliveira.

Concebido para ser o segundo programa social mais importante do governo - atrás só do também extinto Fome Zero, substituído pelo Bolsa Família - e apresentado como principal iniciativa contra o desemprego, o Primeiro Emprego foi lançado em junho de 2003.

"Estamos dando, hoje, um passo excepcional para resolver um dos problemas mais graves que o Brasil vive", discursou Lula no Planalto, na época.

O interesse das empresas, porém, ficou abaixo das expectativas do governo. Em março de 2004, o sistema eletrônico de acompanhamento dos gastos federais registrava um único beneficiário, um jovem contratado como copeiro por um restaurante de Salvador.

Pitaco do RA: O dado concreto é de que nunca na história desse país tantos programas governamentais "importantes" foram para o ralo por absoluta falta de consistência e excesso de demagogia.

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'American Chopper' em Brasília











Do UOL Notícias

A moto customizada para homenagear Brasília, criada pela oficina Orange County Choppers (OCC) - daquela família do reality show "American Chopper" da TV a cabo - já está pronta e até mesmo rodando. Baseada nas linhas arquitetônicas de alguns marcos da capital brasileira, ela será a atração do Brasília Music Festival Moto - de 7 a 9 de setembro -, evento musical voltado para os amantes das duas rodas.

A moto criada por Paul Teutul Senior, Paul Junior e Mikey, astros do programa, tem cores claras. A tampa do motor lembra os blocos do Teatro Nacional, as rodas (que muitas vezes são o elemento estético decisivo no trabalho dos choppers) reproduzem fielmente os arcos da entrada do Palácio da Alvorada, e até mesmo a Catedral de Brasília foi lembrada, no formato do filtro de ar do carburador (mas ela teve de ser "deitada"). O tanque de combustível tem padrões imitando o mármore em dois tons que é visto em várias construções da capital.

A moto foi montada nos Estados Unidos. Sua apresentação ao público no Brasil acontecerá durante o festival. Depois, segundo a produção do evento, ela sai em turnê por todas as capitais estaduais, uma forma de homenagear também o arquiteto Oscar Niemeyer, que desenhou Brasília e que completa 100 anos em dezembro. Os edifícios que inspiraram partes da moto foram mostrados a Teutul, Junior e Mikey por meio de fotos.

Os três membros do clã OCC subirão ao palco do festival para uma apresentação ao vivo, que deverá ser tema de um programa especial do canal Discovery. O destino do veículo ainda não foi decidido, mas a organização afirma que poderá haver um leilão.

A edição 2007 do Brasília Music Festival será dedicada aos amantes de motocicletas. As apresentações musicais e os estandes com motos da Yamaha, Harley-Davidson, Suzuki, BMW, entre outras marcas, serão no Autódromo Internacional de Brasília, reunindo nomes como Frejat, Os Britos, Blitz e Steppenwolf (aquele de "Born to be Wild").

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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Estadão condenado por chamar Maluf de corrupto

Do site Consultor Jurídico

O jornal O Estado de S. Paulo e o jornalista José Nêumane Pinto estão condenados a pagar, cada um, 50 salários mínimos para o deputado federal Paulo Maluf. Motivo: o jornalista escreveu editorial lamentando que o voto direto “não tenha livrado o Brasil de pragas como Maluf”. Também foram usados os adjetivos “corrupto”, “incompetente” e “irresponsável” para classificar a atuação de Maluf na administração de São Paulo.

A decisão é do Tribunal de Justiça de São Paulo, confirmada pela 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. A condenação, se calculada no valor do salário mínimo vigente, chega a R$ 380 mil — paga solidariamente pelo jornalista e pela empresa, fora juros e correção.

A defesa do jornal já entrou com Recurso Extraordinário no Supremo Tribunal Federal. A peça foi admitida e discute a questão de liberdade de imprensa. O editorial em questão, intitulado “Viva o Voto!”, foi escrito pelo jornalista e publicado na seção Espaço Aberto, na edição do dia 26 de abril de 2000.

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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Brasileirinho, o filme

O genial Yamandú Costa em uma cena de 'Brasileirinho'

Da Folha Online

O início de "Brasileirinho", segundo filme rodado aqui pelo finlandês Mika Kaurismäki, assusta: belas imagens de cartões-postais do Rio, uma narração tatibitate... Parece que vem um filme de gringo para gringo ver. Mas o documentário se salva quando deixa que fale por si o que interessa: a música. Mais exatamente, o choro.

Se em "Moro no Brasil" (2002) Kaurismäki abordou a rica diversidade musical do país, em "Brasileirinho", filmado em 2004, ele fechou a câmera no choro, gênero com armas eficientes para seduzir um espectador estrangeiro de bom gosto: menos conhecido do que o samba; campo de instrumentistas virtuosísticos; nascido em quintais e salões cariocas como nova forma de interpretação de músicas européias como a valsa e a polca, entre outras fontes.

Tendo esse espectador estrangeiro na mira, não chega a surpreender que o documentário só agora ganhe distribuição comercial no Brasil - embora parte da produção tenha sido custeada pelo BNDES. Surpreende até mais que o filme exale frescor mesmo para quem não é neófito em choro.

Isto é possível, em primeiro lugar, porque a narrativa sacrifica o didatismo em nome da música sendo tocada. Ninguém sairá do cinema sabendo como Pixinguinha criava seus contrapontos, mas dificilmente não se comoverá com Zezé Gonzaga cantando "Senhorinha" acompanhada pelo autor da melodia, Guinga. Ou não será alegrado pelo suingue do trombonista Zé da Velha e do trompetista Silvério Pontes.

Em segundo lugar, Kaurismäki se vale das histórias de alguns personagens para montar um breve panorama do choro. Com Jorginho do Pandeiro e Ronaldo do Bandolim, mostra os núcleos familiares que são fundamentais no gênero. Com Joel Nascimento, mostra o lado amador - ele se aposentou como operador de raios-X - e como o bandolim o salvou da frustração de, por causa de uma deficiência auditiva, não ter se tornado um pianista clássico. E com Yamandú Costa e outros jovens, a renovação em curso.

É pena que, mesmo assim, o diretor tenha forjado cenas como o encontro casual entre Yamandú e Marcello Gonçal numa manicure ou a macumba-para-turista que é o número musical em frente ao Real Gabinete Português de Leitura. "Brasileirinho" é, sobretudo, um filme para se ouvir.

BRASILEIRINHO - GRANDES ENCONTROS DO CHORO
Produção: Brasil/ Suíça/ Finlândia, 2007
Direção: Mika Kaurismäki
Com: Paulo Moura, Yamandú Costa
Onde: Unibanco Arteplex, no Rio de Janeiro
Avaliação: bom

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Choro no Manga Rosa

Enviado por Lu Gastão

O restaurante Manga Rosa inicia nesta quarta-feira, dia 29, uma série de shows com música instrumental. Abrindo a programação, o grupo de choro "Nós Nas Cordas" interpretará composições de Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Valdir Azevedo, Chico Buarque e Paulinho da Viola, entre outros grandes nomes do gênero. A apresentação está marcada para às 20 horas e não haverá cobrança de couvert artístico. Maiores informações pelo telefone: (24) 3355-8188.

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O artista plástico John Lennon


John e Yoko


Auto-retrato


Power to the people

Olhando por uma cebola de vidro: mostra de arte de John Lennon

Do New York Times

Mais de um quarto de século após ser morto, em 1980, este ano está sendo marcante para John Lennon. Há, é claro, o 40º aniversário do álbum inovador dos Beatles "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Além disso, a mais recente produção do Cirque du Soleil, "Love", (com música reformulada e reproduzida dos Beatles) estreou em Las Vegas no final de junho. Junho também marcou o lançamento do CD duplo "Instant Karma: The Amnesty International Campaign to Save Darfur", com muitos dos mais populares astros do rock e do pop (inclusive U2, REM e Green Day) cantando as músicas mais amadas de Lennon, de "Imagine" a "Give Peace a Chance" e "Working Class Hero".

Agora, uma mostra de arte itinerante apresenta mais de 100 obras de arte de Lennon - desenhos originais raros, litografias assinadas e impressões limitadas. No início do mês, a mostra esteve em Saratoga Springs, Nova York, onde passou três dias acima do Mrs. London's Bakery and Cafe. Chama-se "Come Together: The Artwork of John Lennon".

Antes da chegada da exposição, tivemos a oportunidade de conversar com a viúva e colaboradora artística de Lennon, Yoko Ono, em seu apartamento no edifício Dakota em Manhattan sobre a exibição, a arte de Lennon e seu legado musical:

Pergunta - John trabalhava exclusivamente em preto e branco? Caneta e tinta no papel?
Yoko Ono - Sim, ele trabalhava na maior parte com caneta e tinta, apesar de algumas vezes também usar um pincel asiático. E algumas vezes ele trabalhava apenas com lápis e papel. Isso porque ele só fazia essa arte quando podia, quando tinha vontade. Ele pegava um pedaço de papel e começava a desenhar.

Pergunta - Ele trabalhava rápido?
Yoko - Muito rápido, sim.

Pergunta - Ele fez pinturas?
Yoko - Sim, fez. Mas, você sabe, as pinturas que ele fez provavelmente foram antes de 1967. Acho que ele fez pouquíssimas pinturas, e não tenho nenhuma delas. A maior parte de seu trabalho foi feita com caneta e tinta.

Pergunta - Quais artistas ele admirava?
Yoko - Ele era grande fã de Magritte, por exemplo. E Van Gogh também, é claro. Nós dois realmente adorávamos esses dois artistas, então era onde compartilhávamos um elo verdadeiro. Magritte certamente demonstrou um senso de humor e sagacidade em suas pinturas, e acho que isso definitivamente agradava John.

Pergunta - Quando ele estava vivo, John exibia freqüentemente suas obras de arte?
Yoko - Não. Ele fez uma mostra de suas litografias, "Bag One", na Galeria de Arte de Londres, em 1970, e elas foram confiscadas imediatamente pela Scotland Yard - que é tão louco, não? Acho que John adorou o drama todo, porém. E depois teve uma mostra em Nova York, e outra em Londres chamada "You Are Here". Foi meio ignorada pelos críticos, e John esperava mais, então não ficou muito feliz com isso. Mas foi só, realmente, no que concerne as mostras de arte de John.

Pergunta - Mas agora o trabalho de John está em coleções de arte de museus de prestígio, como o Museu de Arte Moderna em Nova York, não é?
Yoko - Estranhamente, mesmo com toda sua fama e poder e tudo isso, ele ficou como muitos outros artistas importantes do século 20, que não conseguiam espaço nas galerias enquanto vivos. Isso é incrível, não é?

Pergunta - Foi uma tarefa difícil convencer as galerias a mostrar os trabalhos de John?
Yoko - Sim. No início, era muito, muito difícil convencer as galerias a mostrarem o trabalho de John. Elas diziam: "Não, não fazemos isso", porque era um astro. "Não queremos mostrar os rabiscos de um pop star, queremos mostrar arte", diziam. E depois, quando viam seu trabalho, entendiam que era mais do que rabiscos. Ainda assim, tinham medo de perder a fama de galeria séria ao mostrar os desenhos de John. Era assim.

Pergunta - Essa mostra atual da arte de John viaja bastante, não?
Yoko - Sim, mas cada apresentação é diferente, porque peço aos patrocinadores locais da mostra para fazerem a curadoria, e eles acabam incluindo peças diferentes de John, as que mais gostam.

Pergunta - Desde a morte de John, obviamente a senhora passa boa parte de seu tempo com a custódia de sua obra, tanto musical quanto artística.
Yoko - Sim, sim, sim, e fico muito, muito feliz com isso. É meu prazer fazer isso, porque se o sapato estivesse no outro pé, por assim dizer - se John estivesse aqui - ele promoveria meu trabalho também, tenho certeza. Sei disso.

Pergunta - Que outros projetos do legado musical de John estão por vir?
Yoko - Bem, todos os discos de John agora estão disponíveis na iTunes, pela primeira vez. Não é ótimo?

Pergunta - A senhora tem um iPod?
Yoko - Não, de fato não. Todo mundo a minha volta tem um, menos eu, continuo com o computador grande para a minha música. Ainda assim, o conceito é muito excitante porque assim toda uma nova geração vai descobrir a música de John. Estou sempre tentando fazer alguma coisa que promova o trabalho de John em uma nova mídia. É muito bom isso, porque os jovens devem ser expostos e inspirados pela música de John.

Pergunta - Sim, e obviamente todos nós precisamos ouvir a mensagem de "Give Peace a Chance", agora mais do que nunca.
Yoko - Pois é. Eu sei. E "Imagine" também. "Imagine" é uma música muito, muito rebelde, apesar de eu não ter percebido isso na época.

Pergunta - A senhora viu o filme relacionado com os Beatles, de Julie Taymor, "Across the Universe", que deve ser lançado no próximo mês?
Yoko - Não, ainda não, apesar de ter visto uma versão inicial. Devo vê-lo em breve, porém.

Pergunta - Posso lhe perguntar o que acha do fato da música de John, "All You Need Is Love", estar sendo usada como trilha de um anúncio de fraldas na televisão?
Yoko - Bem, nenhum de nós sabia disso e ficamos muito chateados, de fato. Talvez eu esteja sendo muito conservadora, mas simplesmente não me parece correto. E acho que a Sony Music provavelmente sabia que não aprovaríamos, então não se importou em nos dizer. Houve um debate se deveríamos enviar um comunicado à imprensa para dizer que não sabíamos a respeito, mas decidimos que era melhor deixar morrer o assunto.

Pergunta - A senhora foi ver alguma dessas bandas de homenagem, ou isso é estranho demais?
Yoko - Bem, há um grande show dos Beatles em Las Vegas agora ("Love", do Cirque du Soleil) e todos nós fomos. Então sim, alguns deles eu vejo. E tenho certeza que vou poder ver "Across the Universe" também.

Pergunta - A senhora chega a visitar a exibição de arte de John quando vai a uma nova cidade?
Yoko - No início, era uma condição das galerias. Elas usavam algo assim: "Bem, se a senhora não estará na galeria para promover a inauguração, então não faremos a mostra." Então fui a algumas. Mas depois vi que o fato de eu estar lá se tornou um verdadeiro evento de mídia, escondia o trabalho de John. E não quero fazer isso à sua exibição. É muito bom que a exibição de John tenha esse apelo independente para as pessoas hoje. É muito diferente do que costumava ser.

Publicado no UOL Mídia Global.

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terça-feira, 28 de agosto de 2007

Atração fatal


Passando pela Livraria Veredas, em Volta Redonda...


... não resisti ao melhor do noir

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sábado, 25 de agosto de 2007

'Velozes e furiosos 4' pode ser rodado no Rio



Do site Carsale

Após Los Angeles, Miami e Tóquio, a cidade do Rio de Janeiro pode ser o cenário para a mais nova sequência da franquia Velozes e Furiosos (The Fast and the Furious). Como se não bastasse a boa surpresa - principalmente para nós brasileiros - o quarto filme pode reunir os astros dos episódios anteriores, Vin Diesel, Paul Walker, Tyrese Gibson e Lucas Black.

A Universal Pictures, dona dos direitos sobre a franquia, afirma oficialmente que o projeto Velozes e Furiosos 4 ainda está em estudos, sem revelar datas de início das filmagens, locações e muito menos o nome do diretor. Mas fontes ligadas à Universal afirmam que o projeto está em andamento e pode chegar às salas de cinema dos Estados Unidos já em meados do ano que vem, em pleno verão norte-americano, o período mais lucrativo da indústria cinematográfica local.

Em abril, o roteirista de Velozes e Furiosos 3: Desafio em Tóquio (Fast and Furious: Tokio Drift), Chris Morgan, chegou a ser citado como o provável autor da trama da quarta seqüência. Mas ele está envolvido atualmente nas filmagens de um longa-metragem policial com Angelina Jolie e Morgan Freeman.

Com relação às máquinas que devem contracenar com os atores, a expectativa é de que o novo Dodge Challenger acelere pelas ruas do Rio ao lado de clássicos muscle cars brasileiros, como o saudoso Chevrolet Opala. Outra possibilidade é o ressurgimento do Dodge Charger 1970 guiado e destruído por Vin Diesel na seqüência final do primeiro filme e da aparição de um Buick GNX 1987, o mais veloz sedã já produzido pelo grupo General Motors, e um dos mais cobiçados modelos de colecionadores americanos. Não é para menos, o GNX acelera de zero a 100 km/h em cinco segundos e em seu último ano de produção, 1987, ele foi limitado em apenas 547 unidades.

A produção de Velozes e Furiosos, de 2001, custou US$ 38 milhões à Universal e arrecadou US$ 145 milhões só nos EUA. O longa-metragem trazia Diesel (Triplo X) no papel de Dominic Toretto, o líder de uma quadrilha de assaltantes de cargas; Paul Walker (Mergulho Radical), na pele do policial Brian O'Conner, e Rob Cohen (Triplo X), na direção. Além do Dodge Charger 1970, o elenco de carros do filme era formado por vários exemplares japoneses devidamente preparados, como Honda Civic, Toyota Supra e Mitsubishi Eclipse.

Os modelos personalizados usados no longa foram copiados mundo afora, inclusive no Brasil, dando início por aqui à chamada "febre do tuning", onda de customização de carros que impulsionou o segmento de acessórios nacional até 2005. Desde então, o tuning vive um período de estagnação acelerada.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O que só Renan viu



Do Blog do Noblat

Na coluna da jornalista Monica Bérgamo, na Folha de S. Paulo, foi publicada, hoje, a primeira foto da jornalista Mônica Veloso que posou para a revista Playboy. Com 1m70 de altura e 60 quilos, Mônica malhou e fez regime para aparecer na melhor forma possível no ensaio fotográfico de J. R. Duran. Ela planeja escrever um livro sobre Brasília.

"Todo mundo pensa que meu livro tem dois capítulos: escândalo do Renan e historinha de amor que não deu certo. Nada disso. Vou contar coisas de Brasília que nunca foram publicadas", promete.

A revista que trará Mônica na capa estará nas bancas em outubro.

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Imagens de quinta












Banda da AMAN hoje à tarde no Calçadão

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Paulo Coelho crava recorde no Guinness


Da Folha Online

O escritor Paulo Coelho entrou para o Guinness Book 2008 como o autor que autografou mais traduções de uma obra, em uma única sessão. A façanha foi realizada na Feira de Frankfurt, na Alemanha, em 10 de outubro de 2003, onde o escritor assinou 53 edições de "O Alquimista", cada uma delas traduzida para uma língua diferente.

Paulo Coelho vendeu mais de 85 milhões de livros em todo o mundo. Só de "O Alquimista" foram 30 milhões. A versão 2008 do "Livro dos Recordes" será lançada pela Ediouro em outubro.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Carga de impostos é a maior da história

Da Folha Online

Apesar da promessa do governo Lula de não elevar a carga tributária, os brasileiros pagaram no ano passado o equivalente a 34,23% do PIB (soma das riquezas produzidas no país) em impostos, contribuições e taxas. Foi o terceiro aumento seguido e o maior percentual da história do país. Empresários e economistas apontam os impostos altos e a desorganização tributária do país como um dos maiores entraves ao crescimento.

Em 2005, a carga tributária ficou em 33,38% do PIB. O aumento de 0,85 ponto percentual de um ano para outro concentra-se principalmente nos tributos federais. O governo federal foi responsável pela elevação de 0,5 ponto percentual; os governos estaduais, por 0,28; e os municípios, por 0,07 ponto percentual da alta total. Os dados já levam em conta a mudança de metodologia do IBGE no cálculo do PIB.

O anúncio dos novos números da carga tributária ocorreu ontem de forma inesperada e não contou com a presença do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. A divulgação ocorre no momento em que o governo enfrenta dificuldades no Congresso para prorrogar a CPMF, o "imposto" do cheque. Em julho, o ministro Guido Mantega (Fazenda) já havia anunciado números preliminares da carga de 2006, apontando uma alta para 34,5% do PIB. Em audiência pública na Câmara, disse: "É um número alto. A estrutura tributária é injusta, ineficiente e irracional". Em entrevista à Folha, no domingo, Mantega disse: "Agora é a hora da reforma tributária".

A contribuição para o INSS foi o tributo que apresentou maior elevação em 2006 - de 0,29 ponto percentual. O segundo imposto com maior aumento foi o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), de competência dos Estados - alta de 0,18 ponto percentual. Em seguida, aparecem o IR (Imposto de Renda), com alta de 0,10 ponto percentual, e a contribuição para o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) - de 0,07 ponto percentual. A CPMF, cuja vigência está garantida por enquanto somente até o final do ano, registrou aumento de 0,02 ponto percentual em 2006.

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Gravizero no 'GAS Festival'


Nossos roqueiros mandando ver no Parque das Águas

A banda resendense Gravizero é uma das 40 finalistas do "Guaraná Antarctica Street Festival", que irá revelar novos talentos do rock brasileiro. O GAS acontece este ano em São Paulo, na Chácara do Jockey, no dia 1º de setembro. Serão 12 horas de programação diversificada e recheada de atrações de peso.

Para misturar música, esportes de ação e atitude em um movimento inédito, serão montados 5 palcos e 3 pistas. A união de shows de new rock e performances radicais sobre rodas assume o papel único e cria a proposta original do evento. Os palcos e pistas estarão bombando com muita música e shows imperdíveis dos melhores atletas do Brasil. Tudo rolando ao vivo, junto.

E para unir todo o pessoal em torno de uma grande atração, no momento mais intenso do GAS, super shows vão encerrar o dia, deixando emoções fortes e muita sede no público. É o maior street festival do Brasil.

A escolha das melhores bandas estava sendo feita através do voto popular na internet. No entanto, devido a irregularidades no processo, os organizadores do evento decidiram suspender a votação popular, não considerando os resultados obtidos. Diante disso, a seleção das 20 bandas vencedoras será efetuada por uma comissão julgadora escolhida por profissionais da gravadora Som Livre.

O resultado será divulgado através do site do festival no próximo dia 25 de agosto. Portanto, todos na torcida pela nossa Gravizero, que é mesmo muito boa e merece vencer. Quem ainda não conhece, pode ouvir uma música deles no site do GAS (é só clicar na opção "Bandas" e, depois, em "Gravizero"). Ou, então, visitar o site da banda.

Matéria realizada com informações do site do GAS, depois de um precioso toque do Lu Gastão.

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terça-feira, 21 de agosto de 2007

'Chet Baker era ícone de estilo e atitude'


Foto de Bruce Weber

Da Folha Online

Ele não liga para roupas, mas seus filmes e fotografias, carregados de uma sensualidade ora explícita, ora ingênua, tiveram influência definitiva na publicidade de moda a partir dos anos 80. Campanhas como as que fez para grifes como Calvin Klein e Abercrombie & Fitch, nos anos 90, foram amplamente copiadas e são, até hoje, polêmicas por seu suposto apelo homoerótico.

Homenageado pelo festival Iguatemi FilmeFashion, que acontece no shopping Iguatemi, em São Paulo, de sexta ao dia 30, o fotógrafo e cineasta americano Bruce Weber, 61, ganhará uma retrospectiva com sua produção em cinema e vídeo. O destaque é o filme "Let's Get Lost" (1988), sobre o trompetista Chet Baker. Weber, que fará uma videoconferência durante o festival, no dia 26, falou com a Folha:

FOLHA - Em "Let's Get Lost", vários entrevistados comentam o poder de sedução de Chet Baker. Como isso influenciou o documentário?
BRUCE WEBER - Quando comecei a fazer o filme, eu já era fã de Chet. Ele foi um ícone de estilo e atitude, era extremamente cool. Começamos o documentário um ano antes de sua morte. Chet já estava envelhecido, mas ainda tinha capacidade de seduzir a todos com seu charme. Uma vez que você entendia esse traço de sua personalidade, tudo ficava mais fácil. Às vezes, as pessoas dizem coisas lindas, duras ou interessantes e todos se perguntam se aquilo é verdade. Não quero saber se o que Chet disse era 100% verdade, minha intenção nunca foi expor suas entranhas. Só importa que ele tenha tido coragem de se expor à sua maneira. Não faço documentários tradicionais, não tenho esse tipo de pacto com a verdade.

FOLHA - Quando Chet morreu, em 1988, você estava editando o filme. Como reagiu à notícia?
WEBER - Eu estava na sala de edição quando alguém chegou com a notícia. Eu e minha equipe deitamos no chão e ficamos em silêncio, alguns choraram. Levantamos e fomos para casa. Depois de duas semanas, eu disse: "Vamos terminar, em homenagem a ele". Chet tinha problemas com drogas e bebidas, e eu alimentava a fantasia de que poderia salvá-lo. Houve boatos sobre suicídio, mas a versão oficial, na qual acredito, é que ele caiu de uma janela.

FOLHA - Você é colaborador da revista "Vanity Fair". O que achou da edição da revista sobre o Brasil, focada no Rio, que gerou polêmica ao dizer que os brasileiros só querem saber de bundas e festas?
WEBER - Não é a atitude brasileira que conheço. Nos anos 80, estive no Brasil e fiz um livro de fotos chamado "O Rio de Janeiro". Fiquei impressionado com a cultura de rua. Não me lembro de ir a boates, de gente se aprontando para grandes festas. Eu andava na rua e pensava: como essas pessoas são naturalmente bonitas, espero que nunca se tornem modelos. Na revista, a impressão é que todos querem parecer top models.

FOLHA - O que você acha da fotografia de moda atualmente?
WEBER - Ainda faço fotos e anúncios de moda, mas estou sempre focado nas pessoas. As roupas não me interessam, porém acho que registrá-las pode ajudar a documentar e entender os hábitos de uma época.

FOLHA - Suas fotos são freqüentemente classificadas como homoeróticas. O que você pensa disso?
WEBER - Fotografo muitos homens, alguns deles bastante atléticos e bonitos. Algumas imagens têm elementos sexuais. Outras são tão doces quanto podem ser, mostram homens em atitude fraternal. A tensão sexual pode estar no olhar de quem vê. Quanto aos anúncios, como os da Calvin Klein, são sensuais e viraram parâmetros para um certo tipo de publicidade fashion. O fato é que detesto rótulos. Fotografo crianças, velhos, animais. Não procuro modelos que fazem plásticas, injetam botox. Gosto de qualquer beleza natural.

FOLHA - Entre suas fotografias, qual é a que você mais gosta?
WEBER - Gosto de uma série que fiz com meus pais, que já estavam velhos e descobriram que estavam se apaixonando um pelo outro novamente. Além deles, Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, que deixaram um vazio no cinema.

FOLHA - Qual foi a pessoa mais sexy que você já fotografou?
WEBER - (O ator) Robert Mitchum. Quando eu o fotografei, ele tinha mais de 70 anos e ainda transmitia energia sexual.

FOLHA - E a mais bonita?
WEBER - Nelson Mandela.

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'Favela é melhor que Barra'

Do Estadão

O fascínio pelas favelas brasileiras nasceu dos relatos - em livros - do Favela-Bairro, projeto lançado pela prefeitura do Rio há 12 anos. Christian Werthmann, professor da pós-graduação em Arquitetura na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e Gareth Doherty, aluno do doutorado, conheceram cinco favelas do Rio na semana passada. Tiraram centenas de fotos, cruzaram com traficantes de drogas armados, conversaram com moradores, arquitetos da prefeitura e percorreram becos e ruelas para ver se os projetos descritos nos livros funcionam.

Saíram impressionados com o que pode ser feito. O professor dirige um projeto em Harvard para estudo das favelas da América do Sul e América Central. Em fevereiro, as favelas serão tema de uma exposição no Departamento de Arquitetura de Harvard. Na favela, os dois se espantaram com a estética do puxadinho e elogiaram as soluções para construção de calçadas e caminhos. "A favela, como bairro, é muito melhor do que a Barra da Tijuca." Werthmann detestou o bairro de classe média cheio de condomínios auto-suficientes.

- Tem algo errado num bairro que, sendo daquele jeito, sem conexão dos prédios com a rua, tem tantos problemas sociais. Miami ainda é melhor. Lá os prédios são mais próximos.

Enviado pelo ex-Blog do Cesar Maia.

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Frase de terça do Macaco Simão

"Bispa Sônia vai ver o sol 'renascer' quadrado." (José Simão, na Folha Online)

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Da nova série 'Justiça Brasileira'

O jornalista Pimenta Neves continua solto sete anos após assassinar a ex-namorada Sandra Gomide.

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Rua Joel Silveira

Do Comunique-se

O Diário Oficial anunciou que a Rua Projetada 44, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, mudará de nome para Rua Joel Silveira, em homenagem ao jornalista e escritor que morreu na quarta-feira (15/08). O comunicado divulgado na sexta-feira (17/08) atinge o logradouro que começa na Avenida Aldemir Martins (lado par), depois da Avenida Cesar Morani.

Joel Silveira nasceu em 1918 e trabalhou mais de 60 anos como jornalista. Em março, ele foi homenageado no 2º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Foi precursor da grande reportagem e do jornalismo literário no País e recebeu premiações como "Líbero Badaró", "Prêmio Esso Especial" e o "Prêmio Jabuti".

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domingo, 19 de agosto de 2007

A última entrevista de Joel Silveira

Por Felipe Cruz

Há uns três anos ganhei de presente de algumas amigas jornalistas o livro "A Milésima Segunda Noite na Avenida Paulista" do desconhecido (para mim, claro) Joel Silveira. Olhei com certo estranhamento aquela capa preta e não dei muito crédito para o que eu poderia encontrar ali. Agradeci as minhas amigas pelo presente e imaginei que por se tratar de jornalistas elas com certeza saberiam me presentear com uma boa obra literária ou, como foi o caso, com um espetacular livro sobre jornalismo. Foi nessa época que conheci o nome Joel Silveira e desde então passei a admirar o trabalho que este repórter desenvolveu ao longo de 60 anos de puro jornalismo.

Confesso que meu desejo era visitá-lo pessoalmente e talvez, quem sabe, conseguir um autógrafo no livro que me despertou o gosto pelo jornalismo literário. Infelizmente não foi possível visitá-lo, pois Joel, ao longo de seus 88 anos já não se sente tão à vontade para receber as pessoas em sua casa. Não tem problema, Joel com uma simpatia ímpar, me atendeu ao telefone e com a maior paciência do mundo ouviu minhas perguntas resultando em um ótimo bate-papo. Foram apenas 15 ou 20 minutos de conversa. Por delicadeza e respeito a saúde de Joel não quis me estender para não perturbá-lo além do necessário.

Joel Silveira é uma dessas raras pessoas que para descrevê-las é impossível não cair na tentação de utilizar clichês e adjetivos. Como, por exemplo, falar sobre um jornalista que tem em seu currículo a correspondência da Segunda Guerra Mundial, entrevistas com cinco presidentes, inclusive Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, sem cair no lugar comum de dizer que ele é um dos mais importantes jornalistas brasileiros e testemunha ocular da história? Joel, era na realidade, um exemplo do que poderíamos chamar de "Enciclopédia Ambulante", o que ele falava é porque ele tinha visto.

Como se não bastasse simplesmente o fato de ter presenciado a Segunda Guerra, ele também foi correspondente internacional por anos, quando teve a oportunidade de conhecer pessoalmente três Papas. Além disso, trabalhou para um dos mais importantes empresários da comunicação brasileira, Assis Chateaubriand, nos Diários Associados. O apelido: "Víbora", foi dado, inclusive, pelo próprio Chatô, e deve-se ao fato de Joel, em sua carreira de jornalista, ter se orgulhado de cultivar com suas reportagens mais desafetos do que aliados. Manuel Bandeira, por exemplo, descreveu seu estilo como "uma punhalada que só dói quando a ferida esfria".

Simpático ao extremo, Joel Silveira, conversou comigo sobre política nacional, violência no Rio de Janeiro, seus novos livros e a sua experiência na Segunda Guerra Mundial. Sua especialidade era mesmo contar a história já que muita coisa relevante literalmente aconteceu bem em frente aos seus olhos. Modesto também, Joel não se considerava como ícone do jornalismo nacional e maior expoente do jornalismo literário e sim "um bom datilógrafo".

Joel Silveira há oito anos não escrevia mais nada porque sofria de catarata e de uma doença que o deixava com as pernas muito inchadas. Por isso, ele quase não saía de seu apartamento. "As notícias chegam até a mim, eu não vou mais às notícias. Porque eu não tenho mais condições. Também eu estou muito velho, estou com 88 anos", justificou. Mesmo assim ele conseguiu reunir material para lançar nos últimos anos dois importantes livros, editados pela Companhia das Letras, sobre a história brasileira: "A Milésima Segunda Noite na Avenida Paulista" e "A Feijoada que Derrubou o Poder".

Dono de uma crítica ácida, ao longo da vida disparou críticas a quem achou que merecesse. O gosto pela maledicência continuava o mesmo, e não perdoava nem personagens inofensivos como os alpinistas, os turistas e os tocadores de cavaquinho. Sobre o Brasil ele dizia: "O Brasil me lembra uma bomba-relógio feita às pressas e de mecanismo defeituoso. Dessas que nunca explodem".

É curioso ler as respostas que ele costumava dar, pacientemente, à pergunta-clichê que lhe faziam quase todos os entrevistadores: "Que reportagem você gostaria de fazer hoje?" Silveira respondeu que seu sonho era cobrir a guerra do Kosovo. Tempos depois o assunto era outro, e outra era a resposta: "Gostaria de escrever um perfil dessa moça, a Monica Lewinsky". Já respondeu que gostaria de fazer uma grande reportagem sobre a violência do Rio de Janeiro. E para mim disse que teria vontade de ir para o Iraque e cobrir a guerra de lá. "Hoje o assunto é o homem da Al Qaeda, o Bin Laden. Hoje eu gostaria de entrevistar o Bin Laden", revela. Como sempre, a Víbora, gostava mesmo de encrenca.

A entrevista

Você como uma testemunha ocular da história, você já viu muita coisa...
Eu conheci cinco presidentes da República.

É justamente sobre isso que queremos conversar. Para você, que já entrevistou Getúlio Vargas, por exemplo, de Getúlio até os dias de hoje o que melhorou ou piorou na política brasileira?
Piorou muito. Porque o Getúlio, apesar de ditador, era um homem honesto, pessoalmente honesto. Aliás, todos os ditadores militares eram pessoalmente honestos. A ditadura militar neste ponto de vista você não pode dizer nada. Foram tiranos, perseguiram, prenderam, torturaram, mas eram figuras honestas. Castello Branco, Garrastazu Médici, João Baptista Figueiredo e Geisel, apesar de tudo eram pessoas honestas. De lá para cá a coisa piorou muito. Você está vendo o caso do Renan Calheiros e o ex-governador do Distrito Federal, Roriz. Estão todos aí, uma coisa terrível.

Em uma entrevista, você disse que nunca gostou de Getúlio.
Não, nunca gostei. Porque o Brasil no século XIX teve Rodrigues Alves, que foi um grande estadista. E no século XX teve Getúlio, que foi o homem que deu início à industrialização do Brasil. Teve também o Juscelino Kubitschek que fez Brasília e fez, principalmente, a estrada Brasília-Belém. Com essa estrada o Brasil recuperou todo o miolo deserto onde não havia nada, naqueles descampados terríveis do cerrado.

E na sua opinião porque eles foram grandes estadistas?
Porque, você sabe, no Brasil, Rodrigues Alves modernizou, principalmente no Rio de Janeiro, foi no governo dele e do Pereira Passos que transformaram o Rio em uma capital. Aqui era uma cidade incrustada entre morros. Eles abriram a Avenida Central, depois Getúlio abriu a avenida que hoje tem o nome dele. E sem dúvida, foram eles, no século XIX o Rodrigues Alves e no século XX o Getúlio e Kubitschek.

A gente pode supor que você conheceu dois tipos de Rio de Janeiro, o primeiro como capital da república, considerada a Cidade Maravilhosa. O Rio de Janeiro atual, com uma infinidade de favelas, violência, assalto...
É terrível. Hoje, o Rio de Janeiro, segundo a Unesco, é a cidade mais violenta do mundo. Eu sempre morei aqui em Ipanema e Copacabana, você saía à noite, ia para o Arpoador, dava duas, três horas da madrugada, geralmente quando tinha alguma lua cheia eu gostava de ver. Enfim, não acontecia nada. Hoje você não pode nem sair de dia. A cidade está sitiada.

Você já sofreu algum tipo de violência ou assalto por aqui?
Não, felizmente não. Nunca, nunca sofri. Eu sou exceção, né!?

Você disse em outra entrevista para a revista Imprensa que depois de cobrir a Segunda Guerra e testemunhar um monte de mudanças, se tivesse 20 anos novamente teria vontade de ir para o Iraque e entrevistar Saddam Hussein e Bin Laden.
Claro! Porque é o assunto. Hoje o assunto é o homem da Al Qaeda, o Bin Laden. Hoje eu gostaria de entrevistar o Bin Laden.

E que pergunta você faria para ele?
Para saber exatamente o que ele pretende, porque o Bin Laden é um homem milionário. Inclusive aparentado com a família da Arábia Saudita. Então como é que esse homem riquíssimo, que poderia ter uma vida de luxo, vive encurralado lá nas montanhas do Afeganistão e doente. E essa coisa de destruir como fez com as Torres Gêmeas em Nova York. Gostaria de saber exatamente isso: Quem é ele e o que ele pretende com isso.

Que lição de vida você pode passar para a gente depois de cobrir guerras e ser correspondente internacional em vários países, pela revista Manchete?
É, exato. Pela Manchete, pelo Diário de Notícias, principalmente pelos Associados, do Chateaubriand. Certa vez, em Roma, eu estava conversando com o Herbert Matthews, grande jornalista que depois foi diretor do New York Times. Ele tinha feito, ao lado do Hemingway, a cobertura da guerra da Espanha, a guerra civil. De modo que ele falava muito bem espanhol. E eu era o correspondente mais jovem, tinha 26 anos, de maneira que ele se encheu de afeto por mim, tratava como ele fosse meu pai. Sempre que eu estava lá ele me chamava para conversar. Um dia eu perguntei para ele: "Mr. Matthews, que conselho o senhor daria para ser um bom repórter?" E ele respondeu: "Olha Silveira, são três. Primeiro: paciência; Segundo: insistência e Terceiro: sorte". Aí eu disse para ele: "Mas Mr. Matthews você tendo a terceira, você tem as outras duas". E ele respondeu: "Você tem razão". Foi o conselho que ele me deu e é o conselho que eu dou a todos os jovens repórteres que me procuram e fazem essa pergunta que você está me fazendo agora.

Hoje em dia os jornalistas não vão muito para rua, ficam na redação...
É porque hoje você faz uma guerra do bar, né!? E esta tudo lá, tem Internet, os meios de comunicação hoje são fantásticos.

Você acha que isso prejudica a reportagem?
Até a Segunda Guerra Mundial, o repórter, no meu caso e no caso do Rubem Braga, nós tínhamos que estar junto com as tropas. Não podia ficar no bar esperando que a notícia chegasse até a gente. A gente que tinha que ir atrás das notícias. E acompanhávamos os pracinhas nos postos mais avançados. Com um agravante, porque sofríamos os mesmos perigos dos pracinhas, dos soldados, mas não podíamos ter armas. Correspondente não pode usar arma, nem canivete. Porque se for preso é considerado franco atirador. Porque soldado quando é preso com arma não é fuzilado. Corríamos os mesmos perigos dos pracinhas mas sem o direito portar qualquer espécie de arma.

Você chegou ver alguma batalha de perto na Itália?
Claro! Eu fui o primeiro correspondente a chegar ao Monte Castelo. Depois vi Montese. E no dia 29 de abril de 1945 eu vi o Mussolini espetado, o Starace, o Pavolini, a amante do Mussolini. Todos eles pendurados em uma haste em um posto de gasolina. Aí é que eu pensava comigo: Puxa vida! Durante 22 anos esses homens dominaram essas terras. Olha ao que estão reduzidos. Todo mundo jogando pedras. Ficou lá o dia inteiro, depois tiraram e enterraram e sumiram com os corpos, até hoje ninguém sabe. Só quatro anos depois é que o governo italiano, na democracia cristã, devolveu o corpo de Mussolini para a mulher dele, a Raquele Mussolini. Ela o enterrou onde ele nasceu.

O jornalista Geneton Moraes Neto...
Esse é um grande repórter! Para mim, hoje, é o maior repórter do Brasil.

Ele tem um blog, onde ele escreve periodicamente e publica as "Pílulas de Vida do Dr. Silveira”.
É exato.

Pego um exemplo publicado recentemente escrito pelo senhor assim: "É mais decente emagrecer do que engordar no poder. Sem falar que dá menos na vista”.
Engorda no poder porque está roubando! Isso depois o Geneton manda também para a revista Continente lá de Pernambuco e é publicado lá.

Como é essa sua experiência de ter acompanhado o jornalismo brasileiro nos primórdios e hoje publicar essas pílulas de vida na internet?
Há oito anos que eu não escrevo nada. Estou paralítico e fico aqui em casa o dia inteiro. Estou ouvindo agora música clássica. Ouvindo os telejornais... As notícias chegam até mim, eu não vou mais às notícias. Porque eu não tenho mais condições. Também eu estou muito velho, estou com 88 anos.

Sobre a questão da portaria 264, que regulamenta a classificação indicativa nos filmes e programas de TV? Essa portaria poderia ser futuramente transformada numa espécie de censura prévia?
Isso é um perigo, um perigo. A intenção pode ser boa mas é perigosa.

A portaria 264 pode ser um caminho para levar a censura?
Não tem dúvida, não tem dúvida, não tem dúvida!

Sobre seus livros mais recentes, você publicou "A milésima segunda noite na Avenida Paulista" e a "A Feijoada que Derrubou o Poder", que fala a respeito da feijoada que aconteceu dias antes do golpe militar?
Exatamente, aconteceu na véspera do golpe.

Como foi essa história?
Foi na casa do João Pinheiro Neto, que era ministro do Trabalho e estava chefiando a reforma agrária. No almoço estava o Brigadeiro, o Ministro da Aeronáutica, o Ministro da Guerra. Estava toda a cúpula do Jango. E eles diziam: "Se o avião subir nós derrubamos!", e o Almirante dizia "Se o navio sair eu não deixo passar do porto". E nada disso! No dia seguinte veio a revolução e foi conversa fiada. Eles não sabiam de nada na véspera do golpe.

Para ler a matéria completa, clique aqui.

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Rodoviária do Rio será reformada




Projeto de reforma do 1º e 2º pisos

Publicado na Veja Rio

Construída em 1965, a Rodoviária Novo Rio passará, enfim, pela primeira grande reforma. Orçadas em 8 milhões de reais, as obras começarão até o fim do mês e prometem deixá-la irreconhecível. O terminal de ônibus ganhará ar-condicionado, elevador panorâmico e duas praças de alimentação, além de 22 novos quiosques e lojas. Mas a principal mudança será no visual: saem de cena as paredes escurecidas e o piso industrial, substituídos por ambientes claros, com piso de granito branco. "Vai ser tudo muito clean", antecipa Roberto Faria, diretor adjunto da Socicam, empresa que administra a Novo Rio e outros dezessete terminais de ônibus. "Vamos mudar da água para o vinho. E vinho dos bons."

Os trabalhos se iniciam no setor de embarque, que deve ficar pronto até o Natal. Depois, seguirão pelo desembarque e pela passarela que liga os dois setores. A passarela, aliás, é o alvo da maior intervenção. Hoje, ela tem 12 metros de largura. Passará a ter 36. A reforma completa só deve ser concluída em dezembro de 2008.

Com um volume de mais de 50 mil passageiros por dia, 174 linhas de ônibus e uma área de 28 mil metros quadrados, a Novo Rio ainda padece com instalações antigas e desconfortáveis. O objetivo é justamente corrigir esses problemas e tornar o espaço agradável para quem está lá, por definição, de passagem. Sua inspiração vem do Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. Modernizado pela própria Socicam em 2002, ao custo de 14 milhões de reais, o Tietê recebe 90 mil pessoas por dia e é a maior rodoviária da América Latina. "Mas nossa intenção não é aumentar o volume de passageiros", afirma Faria, que viu o movimento crescer 30% no mês passado por causa do caos aéreo, dos Jogos Pan-Americanos e das férias de julho.

Além do embelezamento e da modernização, a rodoviária deve tornar-se mais segura. Atualmente, 33 câmeras registram o movimento no terminal. Com a reforma, elas serão 56. Também receberão cuidados as instalações elétricas. Os custos serão cobertos pelo Consórcio Novo Rio, que inclui a Socicam, empresas de ônibus e lojistas do terminal. Para que a rodoviária se torne mais hospitaleira, porém, ainda faltará coibir a baderna de camelôs e vans irregulares que transformam seus arredores em campo minado tanto para turistas quanto para cariocas.

Pitaco do RA: Nos meus 20 anos vividos na capital, nunca me conformei com o estado sempre lastimável da rodoviária Novo Rio. Principalmente, quando ia recepcionar parentes e amigos que lá chegavam de visita e tinha que ouvir os comentários nada elogiosos sobre aquela que deveria ser , pela lógica, um dos cartões-postais da Cidade Maravilhosa. "Mas como é que o Rio de Janeiro, famoso mundialmente pela sua beleza, tem uma rodoviária horrorosa como esta?" Depois de algum tempo, me acostumei a responder que isso era coisa de carioca, um povo que não se importava muito com as aparências e que convivia bem com ruas esburacadas, calçadas sujas de cocô de cachorro e uma rodoviária que perdia na comparação - em limpeza e conforto - para qualquer terminal de médias cidades do interior de Minas ou de São Paulo. Quando deixei o Rio, a rodoviária já tinha passado por uma pequena reforma que melhorou razoavelmente o seu aspecto, embora ainda continuasse a anos-luz de distância, por exemplo, do Terminal Tietê, em São Paulo. Por isso, é difícil para mim imaginar que até o Natal de 2008, o Rio terá uma nova rodoviária, digna dos terminais europeus, paulistas ou mineiros. Pena que - se isso realmente acontecer - eu não estarei lá para receber, com orgulho, as minhas visitas.

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sábado, 18 de agosto de 2007

O adeus ao mestre


(Foto Reuters)

O corpo do cineasta sueco Ingmar Bergman foi enterrado em uma cerimônia privada neste sábado na ilha báltica de Faro, onde viveu seus últimos anos. Um pequeno grupo formado por seus parentes e amigos, entre eles a atriz Bibi Andersson, se reuniram para o funeral. (Do UOL Cinema)

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Atenção, você está sendo ouvido!


"É intolerável essa atmosfera que vivemos, com a conduta abusiva de agentes ou órgãos entranhados no aparelho de estado. A interceptação telefônica generalizada é indício e ensaio de uma política autoritária." (Celso de Mello, ministro do STF, na Veja).

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Internet muda a medicina


A internet quebrou o monopólio da informação científica e está transformando a relação entre médicos e pacientes. As pessoas levam mais questões ao consultório e até formam comunidades com outros portadores de sua doença. Vale a pena fazer uma busca no Google antes da consulta - e desafiar seu médico? Confira na Época.

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Desabafo de um ex-bebê



"Tenho a sensação de ser a maior estrela pornô do mundo" - Spencer Elden, o garoto que apareceu pelado na capa do CD "Nevermind", do Nirvana. (Na revista Época)

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Lenny Kravitz na Rocinha


Da coluna Zapping, na Folha Online

Lenny Kravitz apareceu ontem, do nada, no Rio de Janeiro, e foi fazer uma visitinha básica à Rocinha. O cantor norte-americano parecia estar em casa. Entrou em locais que poucos têm permissão para circular, andou pela rua mais perigosa da favela, comeu e bebeu tranqüilamente em um bar. Lenny estava acompanhado de apenas um segurança.

Pitaco do RA: Aos poucos, a favela da Rocinha vai se firmando como uma das maiores atrações turísticas do Rio. Que se cuidem o Corcovado, o Pão de Açúcar, as praias de Copacabana e de Ipanema: um novo cartão-postal, feito de muita adrenalina e pouca beleza, está conquistando o coração dos estrangeiros.

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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

20 anos sem Drummond



Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

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De saco cheio do Lula!














Fotos do UOL


Do UOL Notícias

No dia em que se completa um mês do acidente com o Airbus da TAM, cerca de 5.000 pessoas (segundo a PM) reuniram-se na praça da Sé, região central de São Paulo, para participar do ato organizado pelo movimento "Cansei", que terminou com gritos de "Fora Lula".

A concentração para o protesto começou por volta das 12h. Subiram ao palco montado na praça, entre outros, a apresentadora de TV Hebe Camargo, o ator Paulo Vilhena, a cantora Ivete Sangalo, o humorista Carlos Alberto de Nóbrega, o ex-nadador Fernando Scherer, o presidente da OAB de São Paulo, Luiz Flávio Borges D´Urso - que encabeça o movimento, ao lado de sindicatos patronais, cuja cabeça visível era o empresário João Dória Jr.

D´Urso e outros integrantes da OAB discursaram sobre o objetivo do movimento, repetindo várias vezes que era apartidário. Às 13h, foi feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do vôo 3054 da TAM e também em protesto à onda de impunidade que, segundo os organizadores do movimento, assola o Brasil. Também foi realizado um culto ecumênico. O cantor Agnaldo Rayol encerrou o protesto cantando o hino nacional.

Pitaco do RA: Mais pitaco contra o Lula, contra as lorotas do Lula, contra a incompetência do Lula, contra as bravatas do Lula, contra o (des) governo do Lula? Sabem de uma coisa? Nós aqui do RA também já cansamos! Afinal, são dois anos batendo nas mesmas teclas, digitando as mesmas palavras, formando as mesmas frases... Chega!!! De agora em diante, só imagens (que valem mais que milhares de palavras) e, quando imprescindível, o texto meramente informativo das agências de notícias. Fim de papo.

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Scorsese reflete a vitalidade dos Stones em filme


Pedras que rolam sem parar

Do La Vanguardia

O novo filme de Martin Scorsese o leva de volta, de maneira descontraída, a uma de suas maiores paixões: a música popular, o rock. Desta vez são os Rolling Stones o ponto de mira do cineasta americano, uma das referências nos últimos 30 anos da história da cinematografia mundial, amparado por uma obra tão sólida quanto heterodoxa: "Caminhos Perigosos", "Taxi Driver", "A Última Valsa", "Touro Indomável", "Os Bons Companheiros", "Cassino", Gangues de Nova York" ou "Infiltrados" são alguns dos filmes esplêndidos feitos por ele ao longo das últimas três décadas. O longa-metragem-entrevista-concerto resultante, intitulado "Shine a Light" (Brilha uma Luz), será lançado em 21 de setembro.

Scorsese, 64 anos, está dando os últimos retoques no que será sem dúvida uma de suas produções mais assistidas, senão necessariamente uma das mais valorizadas. "Shine a Light" é o título de um retrato muito particular de Mick Jagger e seus três companheiros dos Rolling Stones. O retrato oral e visual rodado no presente, que inclui entrevistas e imagens de um show feito em setembro passado no tranqüilo Beacon Theater em Nova York.

Também se deve lembrar que boa parte do projeto nasceu de um roteiro no qual ambos tinham trabalhado nos últimos oito anos. Segundo Scorsese, "tratava-se de uma espécie de saga musical, que por sua vez vinha a ser uma crônica sobre a indústria do rock desde os anos 60 até os 90". O projeto não só lhes agradou como levou Jagger a co-produzi-lo. O cineasta explicou extensamente no domingo passado no jornal britânico "The Observer" alguns dos eixos de sua nova obra. Lembrou-se, obrigatoriamente, que Scorsese é um fã de longa data da banda inglesa e que não é estranho às virtudes das novas fornadas do rock britânico, como os Arctic Monkeys.

'Mick Jagger e Keith Richards são como yin e yang'

A pergunta tópica "Por que os Stones e agora?" é respondida pelo diretor: "É difícil dizer. Também não vi qualquer razão para dizer não. A questão, o que me motivou, é que sua música me encantava sem que eu os conhecesse pessoalmente".

Em relação ao que considera que une Jagger e Richards, Scorsese afirma que "vendo-os trabalhar juntos se percebe que são opostos. Equilibram-se extraordinariamente bem. São o yin e o yang do grupo".

E os Stones do século 21 ainda representam a chama da rebelião contra o sistema que representaram nos 60? "Só quando a verdade de sua música procede do blues (...) É porque o blues reflete certos aspectos que temos como seres humanos. E uma pessoa reage a isso ou não".

Para muitos fãs, "A Última Valsa", filmado em 1978 com o grupo The Band, é o melhor filme sobre rock da história do cinema.

"São dois filmes muito diferentes. 'A Última Valsa' foi uma espécie de elegia, e além disso The Band significava para mim a melhor música que o rock produziu", diz Scorsese. "Em 'Shine a Light' os Rolling Stones continuam presentes agora mesmo em minha mente. E os vejo tão vitais como se estivéssemos nos anos 60, e pouco depois ainda os vemos jovens nos 70. O que há de subjacente em meu filme é que fala de algo que continua sendo nosso presente, e esse é seu grande desafio".

Publicado no UOL Mídia Global.

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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

30 anos de 'Elvis não morreu'


Elvis Presley e Ann-Margret em 'Viva Las Vegas'

Hound Dog

You ain't nothin' but a hound dog
cryin' all the time.
You ain't nothin' but a hound dog
cryin' all the time.
Well, you ain't never caught a rabbit
and you ain't no friend of mine.

When they said you was high classed,
well, that was just a lie.
When they said you was high classed,
well, that was just a lie.
You ain't never caught a rabbit
and you ain't no friend of mine.

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Antonioni: o homem que libertou o cinema


Jeanne Moreau e Marcelo Mastroiani em 'A noite'

Martin Scorsese, no New York Times

O ano de 1961 foi há muito tempo. Quase 50 anos atrás. Mas a sensação de assistir ao filme "A Aventura" ("L'Avventura", Itália/França, 1960) pela primeira vez ainda está comigo, como se tivesse sido ontem.

Onde foi que o assisti? No Art Theater na Eighth Street? Ou foi no Beekman? Não me lembro, mas recordo-me da energia que correu pelo meu corpo na primeira vez que ouvi o tema musical de abertura - sinistro, staccato, tirado de cordas, tão simples, tão austero, como as trompas que anunciam o próximo tercio durante uma tourada. E, a seguir, o filme. Um cruzeiro no Mediterrâneo, sol brilhante, em imagens em preto e branco diferentes de tudo o que eu já havia visto - compostas com tanta precisão, acentuando e expressando o que? Um tipo muito estranho de desconforto. Os personagens eram ricos, bonitos de certa forma, mas, poder-se-ia dizer, espiritualmente feios. Quem eram eles para mim? O que eu seria para eles?

Eles chegam a uma ilha. Separam-se, espalham-se, tomam sol, discutem. E, de repente, a mulher interpretada por Lea Massari, que parece ser a heroína, desaparece. Das vidas dos outros personagens, e do próprio filme. Um outro grande diretor fez quase exatamente a mesma coisa por volta da mesma época, em um tipo bem diferente de filme. Mas enquanto Hitchcock mostrou à platéia o que aconteceu a Janet Leigh em em "Psicose" ("Psycho", EUA, 1960), Michelangelo Antonioni jamais explicou o que aconteceu com a Anna interpretada por Massari. Ela afogou-se? Despencou do penhasco? Escapou dos amigos e começou uma vida nova? Jamais descobrimos.

Em vez disso, a atenção do filme volta-se para a amiga de Anna, Claudia, interpretada por Monica Vitti, e o seu namorado Sandro, cujo papel é interpretado por Gabriele Ferzetti. Eles começam a procurar por Anna, e o filme parece ser uma espécie de história de detetive. Mas logo a nossa atenção é deslocada da mecânica da busca pela câmera e a maneira como esta se movimenta. Nunca se sabe onde ela estará, ou o que seguirá. Da mesma forma as atenções dos personagens mudam de foco: para a luz, o calor, a sensação de lugar. E, a seguir, passam a concentrar-se uns nos outros.

Assim, o filme transforma-se em uma história de amor. Mas isso também se dissolve. Antonioni nos torna conscientes de algo muito estranho e desconfortável, algo que nunca tinha sido visto no cinema. Os seus personagens fluem pela vida, de impulso a impulso, e tudo acaba se revelando um pretexto: a busca foi um pretexto para estarem juntos, e estar juntos foi um outro tipo de pretexto, algo que moldou as suas vidas e conferiu a estas uma espécie de sentido.

Quando mais vejo "A Aventura" - e voltei a assistir ao filme diversas vezes -, mais percebo que a linguagem visual de Antonioni nos mantinha focados no ritmo do mundo: os ritmos visuais de luz e sombra, de formas arquitetônicas, de pessoas posicionadas como figuras em um cenário que sempre parecia assustadoramente vasto. E havia também o tempo do filme, que parecia estar em sincronia com o ritmo temporal, movendo-se vagarosamente, inexoravelmente, permitindo aquilo que depois percebi serem as limitações emocionais dos personagens - a frustração de Sandro, a auto-depreciação de Claudia -, calmamente tomando conta deles e empurrando-os para uma outra "aventura", e depois para uma outra, e uma outra. Assim como o tema da abertura, que mantinha-se oscilando entre o clímax e a dissipação. Clímax e dissipação. Interminavelmente.

Enquanto todos os outros filmes que eu havia assistido progrediam para um clima de tensão, "A Aventura" rumava para a calma. Os personagens não tinham nem o desejo nem a capacidade para expressar uma autoconsciência real. Eles só contavam com aquilo que parecia ser uma autoconsciência, encobrindo uma veleidade e uma letargia que eram ao mesmo tempo infantis e muito reais. E na cena final, tão desolada, tão eloqüente, uma das passagens mais marcantes do cinema, Antonioni percebeu algo de extraordinário: a dor de simplesmente estar vivo. E o mistério.

"A Aventura" me aplicou um dos choques mais profundos que já experimentei no cinema, maior do que em "Acossado" ("À Bout de Souffle", França, 1960) ou "Hiroshima, Meu Amor" ("Hiroshima, Mon Amour", França/Japão, 1959) (feito por dois outros mestres modernos, Jean-Luc Godard e Alain Resnais, ambos ainda vivos e trabalhando). Ou "A Doce Vida" ("La Dolce Vita", Itália/França, 1960). À época havia dois campos. O das pessoas fascinadas pelo filme de Fellini e o das encantadas por "A Aventura". Eu sabia que estava decididamente do lado de Antonioni, mas se à época alguém me perguntasse, não sei se seria capaz de explicar por quê. Eu adorava os filmes de Fellini e admirava "A Doce Vida", mas fui desafiado por "A Aventura".

O filme de Fellini me tocou e me entreteve, mas o de Antonioni mudou a minha percepção sobre o cinema e o mundo à minha volta, tornando ambos ilimitados (demorou dois anos para que eu voltasse a me envolver com a obra de Fellini, e experimentasse o mesmo tipo de epifania com "Oito e Meio"/"Otto e Mezzo", Itália, 1963).

As pessoas com as quais Antonioni estava lidando, bastante similares àquelas dos romances de F. Scott Fitzgerald (cuja obra, segundo descobri mais tarde, Antonioni apreciava bastante), eram as mais estranhas possíveis no que dizia respeito à minha vida. Mas no final isso pareceu não ter importância. Fiquei hipnotizado por "A Aventura" e pelos filmes subsequentes de Antonioni, e foi o fato de eles não se resolverem em qualquer sentido convencional que me fez voltar tantas vezes a assisti-los. Eles apresentavam mistérios - ou, melhor dizendo, o mistério, a respeito de quem somos, o que somos, uns para os outros, para nós mesmos, para a nossa época. Seria possível dizer que Antonioni estava fitando diretamente os mistérios da alma. Foi por isso que sempre retornei à sua obra. Eu queria continuar experimentando essas imagens, vagando por elas. E ainda o faço.

Antonioni parecia abrir novas possibilidades a cada filme. Os últimos sete minutos de "O Eclipse" ("L'Eclisse", França/Itália, 1962), o terceiro filme de uma trilogia informal que teve início com "A Aventura" (o segundo filme foi "A Noite"/"La Notte", Itália/França, 1961), foram ainda mais assustadores e eloqüentes do que o filme anterior. Alain Delon e Vitti marcam um encontro, e nenhum dos dois comparece. Começamos a ver coisas - as linhas de uma faixa de cruzamento de pedestres, um pedaço de madeira flutuando em um barril -, e passamos a perceber que estamos vendo os locais nos quais os personagens estiveram, vazios das suas presenças. Gradualmente Antonioni nos coloca face a face com o tempo e o espaço, nada mais, nada menos. E eles olham de volta para nós. Uma experiência assustadora, e libertadora. As possibilidades do cinema subitamente tornaram-se ilimitadas.

Todos nós testemunhamos maravilhas nos filmes de Antonioni - aqueles que vieram depois, e o trabalho extraordinário feito por ele antes de "A Aventura", em filmes como "A Dama sem Camélias" ("La Signora Senza Camelie", Itália, 1953), "As Amigas" ("Le Amiche", Itália, 1955), "O Grito" ("Il Grido", Itália, 1957) e "Crimes da Alma" ("Cronaca di un Amore", Itália, 1950), que eu descobri mais tarde. Tantas maravilhas - a paisagem pintada (literalmente pintada, muito antes do surgimento da técnica CGI, as imagens geradas por computadores) de "O Dilema de Uma Vida", (também conhecido no Brasil como "O Deserto Vermelho"; "Il Deserto Rosso", Itália, 1964) e "Depois Daquele Beijo" ("Blow Up", Itália/Inglaterra, 1966), e a história fotográfica de detetive neste último filme, que acaba conduzindo as coisas para cada vez mais longe da verdade; o final expansor da mente de "Zabriskie Point" (EUA, 1970), tão criticado ao ser lançado, no qual a heroína imagina uma explosão que faz com que os detritos do mundo ocidental caiam pela tela em velocidade super lenta e em cores vívidas (para mim Antonioni e Godard foram, entre outras coisas, grandes pintores modernos de verdade); e a notável última tomada de "Profissão: Repórter" ("The Passenger", Itália/França/Espanha/EUA, 1975), na qual a câmera desloca-se lentamente para fora da janela, em direção a um pátio, distanciando-se do drama vivido pelo personagem interpretado por Jack Nicholson e aproximando-se do drama maior expresso pelo vento, pelo calor, pela luz e pelo mundo que segue o seu curso.

O meu caminho cruzou-se com o de Antonioni algumas vezes no decorrer dos anos. Certa vez passamos juntos o jantar do Dia de Ação de Graças, após um período muito difícil na minha vida, e me empenhei em dizer-lhe o quanto significava para mim o fato de ele estar conosco. Mais tarde, depois que ele teve um derrame e perdeu a capacidade de falar, tentei ajudá-lo a realizar o projeto de "The Crew" - um maravilhoso roteiro escrito com o seu colaborador freqüente Mark Peploe, diferente de tudo o que ele já fizera, e sinto muito que o filme jamais tenha acontecido.

Mas, no que se refere a Antonioni, eu conhecia muita mais as suas imagens do que o homem em si. Imagens que continuam a me assombrar e inspirar. A expandir o meu entendimento do que é estar vivo no mundo.

Publicado no UOL Mídia Global.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O homem que fazia perguntas difíceis


'Persona' e 'Cenas de um casamento', dois clássicos de Ingmar Bergman

Woody Allen, no New York Times (tradução do RA)

Recebi a notícia da morte de Bergman em Oviedo, uma pequena e adorável cidade no norte da Espanha onde estou rodando um filme. Uma mensagem telefônica de um amigo mútuo foi retransmitida no set. Bergman me disse uma vez que ele não queria morrer num dia ensolarado, e como eu não estava lá, só posso esperar que ele tenha tenha tido o tempo nublado que todos os diretores merecem.

Eu já disse isso antes às pessoas que têm uma visão romântica do artista e consideram a criação um ato sagrado: no final, sua arte não salva você. Não importa o quão sublime é o seu trabalho (e Bergman nos deu um vasto cardápio cinematográfico de obras-primas), ele não o protege da temida batida na porta que interrompeu o cavaleiro e seus amigos no final de "O sétimo selo". E assim, num dia de verão do mês de julho, Bergman, o grande poeta da mortalidade, não pôde adiar seu inevitável xeque-mate, e o melhor cineasta de toda a minha vida se foi.

Eu tenho feito piadas sobre a arte ser o catolicismo do intelectual, que é a fé na existência de uma outra vida. Para mim, melhor do que viver nos corações e mentes do público é viver em seu próprio apartamento. E, certamente, os filmes de Bergman viverão e serão vistos nos museus, na TV e vendidos em DVDs, mas, para quem o conheceu, isso é uma pobre compensação. Estou certo de que ele ficaria muito mais feliz se pudesse trocar cada um de seus filmes por um ano a mais de vida. Isso daria a ele, por baixo, mais 60 aniversários para continuar fazendo filmes, uma respeitável marca criativa. E na minha mente não há dúvida de que ele usaria esse tempo extra fazendo a coisa que mais gostou de fazer, acima de todas as outras: rodar filmes.

Bergman amava o processo. Ele pouco se importava com a repercussão de seus filmes. Ficava satisfeito quando eles eram apreciados, mas, como me disse certa vez, "se eles não gostam de um filme meu, isso me chateia... por 30 segundos." Ele não estava interessado nos resultados da caixa do escritório, ainda que produtores e distribuidores o considerassem sempre um nome para abrir o fim de semana nas salas de cinema, o que entrava por um ouvido e saía pelo outro. Ele dizia, "lá pela metade da semana, o prognóstico mais otimista deles acaba reduzido a nada." Ele gostava da aclamação dos críticos, mas nem por um segundo precisava disso, e mesmo querendo que o público gostasse do seu trabalho, não costumava presenteá-lo com filmes fáceis.

No entanto, aqueles que decifram seus filmes têm o esforço recompensado. Por exemplo, quando você entende que as duas mulheres de "O silêncio" representam, na verdade, dois aspectos antagônicos de uma mesma mulher, o filme, antes enigmático, se torna claro como por encanto. Ou se você está em dia com a filosofia dinamarquesa antes de assistir "O sétimo selo" ou "O mágico", isso certamente vai lhe ajudar, mas eram tão incríveis os dotes de contador de histórias de Bergman que ele podia manter uma platéia hipnotizada mesmo com um material difícil. Eu já ouvi pessoas saindo do cinema depois de certos filmes dele dizendo: "eu não entendi exatamente o que eu vi, mas cada cena do filme me deixava mais preso à poltrona."

Fiel ao teatro, Bergman era um grande diretor de palco, mas seu trabalho no cinema não tinha apenas influências teatrais: as influências também vinham da pintura, da música, da literatura e da filosofia. Seu trabalho investigava as mais profundas questões da humanidade e, muitas, vezes, traduzia no celulóide esses misteriosos poemas. Mortalidade, amor, arte, o silêncio de Deus, a dificuldade dos relacionamentos humanos, a agonia das dúvidas religiosas, casamentos fracassados, a inabilidade das pessoas se comunicarem umas com as outras.

E, no entanto, o homem em si era caloroso, agradável, brincalhão, inseguro sobre os seus imensos dons, amado pelas mulheres. Encontrá-lo não era, repentinamente, entrar no templo criativo de um formidável, intimidador, sombrio e reflexivo gênio que entonava, com sotaque sueco, complexas revelações sobre a apavorante fé humana em um universo sombrio. Era mais desse jeito: "Woody, eu tenho esse sonho bobo em que chego no set para fazer um filme e não sei onde colocar a câmera; o negócio é, eu sei que sou muito bom nisso e tenho feito isso durante anos. Você já teve esses sonhos tensos?" Ou então: "você acha que poderia ser interessante um filme onde a câmera nunca se movesse e os atores apenas entrassem e saissem de cena? Será que as pessoas iriam rir de mim?"

O que alguém fala para um gênio no telefone? Eu não acho que seria uma boa idéia, mas nas suas mãos poderia se transformar em algo especial. Além do mais, o vocabulário que ele inventou para investigar as profundezas psicológicas dos atores pode também parecer absurdo para quem aprende a filmar de uma maneira ortodoxa. Na escola de cinema (eu fui expulso da Universidade de Nova York quando me especializava em cinema nos anos 1950) a ênfase é sempre no movimento. Essas são imagens em movimento, diziam aos estudantes, e a câmera deve se mover. E os professores estavam certos. Mas Bergman colocava a câmera no rosto da Liv Ullmann ou da Bibi Anderson e a deixava lá imóvel e o tempo passava, passava, e uma estranha e maravilhosa coisa, única em seu brilho, acontecia. Éramos sugados pelo personagem e, ao invés de ficarmos entediados, aquilo nos emocionava.

Bergman, por todos as suas idiossincrasias e obsessões filosóficas e religiosas, era um fiandeiro de histórias que não conseguia se entreter mesmo quando toda a sua mente estava dramatizando as idéias de Nietzsche ou Kierkegaard. Eu costumava ter longas conversas com ele. E sua voz vinha da ilha onde ele morava. Eu nunca aceitei seus convites para visitá-lo porque a viagem aérea me assustava, e eu não me meteria a voar num pequeno avião até um ponto próximo da Rússia para o que eu imaginava ser um almoço de iogurte. Nós sempre discutíamos filmes e, claro, eu sempre o deixava falar a maior parte do tempo, pois me sentia privilegiado por ouvir suas idéias e pensamentos. Ele projetava filmes para si mesmo todos os dias e nunca se cansava de vê-los. De todos os tipos, mudos e falados. Para dormir, ele assistia algum tipo de filme que não o fizesse pensar e diminuísse a sua ansiedade, às vezes, um do James Bond.

Como todos os grandes estilistas do cinema, Fellini, Antonioni e Buñuel, por exemplo, Bergman tinha os seus críticos. Mas, descontados ocasionais lapsos, todos esses artistas marcaram profundamente milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, aqueles que mais conhecem cinema, os que fazem filmes - diretores, escritores, atores, fotógrafos, editores -, talvez venerem, no mais alto grau, o trabalho de Bergman.

Porque eu sempre o elogiei entusiasticamente durante todos esses anos, quando Bergman morreu, muitos jornais e revistas me ligaram pedindo comentários ou entrevistas. Como se eu tivesse algo de real valor para adicionar à triste notícia, além de, mais uma vez, exaltar a sua grandeza. E perguntaram: como ele havia me influenciado? Ele não me influenciou, respondi, ele era um gênio e eu não sou um gênio e genialidade não pode ser aprendida nem sua mágica transferida a outra pessoa.

Quando Bergman apareceu nas salas de arte de Nova York como um grande cineasta, eu era um jovem escritor de comédias e me apresentava em clubes noturnos. Pode o trabalho de alguém ser influenciado por Groucho Marx e Ingmar Bergman? Mas eu absorví uma coisa dele, uma coisa que não depende de genialidade ou mesmo de talento mas de algo que pode ser aprendido e desenvolvido. Estou falando sobre o que é muito freqüentemente chamado de trabalho ético, mas que é, na verdade, pura disciplina.

Eu aprendi, pelo seu exemplo, a tentar fazer o melhor trabalho de que sou capaz em determinado momento, nunca sucumbir ao tolo mundo de sucessos e fracassos ou representar ostensivamente o papel de diretor, mas simplesmente terminar um filme e começar outro. Bergman fez em torno de 60 filmes ao longo de sua vida, eu fiz 38. Se não posso atingir sua qualidade, talvez eu possa, pelo menos, me aproximar da sua quantidade.

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Ainda fundamental, "On the Road" faz 50 anos



Do New York Times

Entre os livros mais vendidos nos Estados Unidos em 1957 estão "Peyton Place" ("A Caldeira do Diabo", em português), de Grace Metalious, e "On the Road" ("Pé na Estrada"), de Jack Kerouac.

Ambos foram marcos culturais: "Peyton Place" como um precursor da moderna novela de televisão e "On the Road" como conclamação à Geração Beat e, mais tarde, como a bíblia underground das décadas de 1960 e 1970. Hoje em dia "Peyton Place" é visto pela maioria dos especialistas como uma mera curiosidade histórica, mas "On the Road", que comemora os 50 anos da sua publicação, ainda conta com uma vida vibrante nos currículos dos cursos de inglês nas faculdades e nas listas de leitura de verão das escolas de segundo grau, bem como nas mochilas dos jovens viajantes.

"É um livro que envelheceu de uma forma legal", afirma Martin Sorensen, gerente da livraria Kepler's Books and Magazines em Menlo Park, na Califórnia. "Um número 'notável' de cópias ainda é vendido todos os anos na loja. Certamente mais do que a média para um livro de 50 anos de idade".

O autobiográfico "On the Road", um fluxo de consciência, segue Sal Paradise (um personagem baseado em Kerouac) e Dean Moriarty (baseado em Neal Cassady, amigo de Kerouac) enquanto eles ziguezagueiam pelos Estados Unidos, bebendo, ouvindo jazz e paquerando.

A editora Viking está lançando uma edição de 50 anos de aniversário do livro na próxima quinta-feira (o original foi lançado em 5 de setembro de 1957) e está publicando, pela primeira vez em formato de livro, a versão original que Kerouac datilografou em um pergaminho de 36 metros de comprimento, juntamente com uma análise feita por John Leland, um repórter do "New York Times", intitulada "Why Kerouac Matters: The Lessons of 'On the Road' (They're Not What You Think) ["Por Que Kerouac Tem Importância: As Lições de 'Pé na Estrada' (Elas Não São Aquilo que Você Pensa)"]. A editora Library of America incluirá "On the Road" em uma coletânea de "romances pé na estrada" de Kerouac que será publicada no mês que vem. E a Biblioteca Pública de Nova York prestará homenagem ao autor em novembro com uma mostra do pergaminho original e outros materiais do arquivo Kerouac.

Embora grande parte desse material atraia principalmente os aficionados da Geração Beat, "On the Road" continua tendo uma ampla importância cultural, especialmente para os jovens. Devido em parte às tarefas escolares, cerca de 100 mil cópias do livro são vendidas anualmente em várias edições em brochura, segundo a Viking. E embora a sua era como a bússola padrão da contracultura possa ter terminado (é difícil continuar sendo um militante da contracultura quando se é exibido em propagandas da Gap, como ocorreu com a imagem de Kerouac na década de 1990), o livro durou muito mais do que vários outros clássicos do cult.

Parte do motivo para que o livro mantenha-se firme e forte é o fato dos artistas populares continuarem a citá-lo (a produção de uma nova versão cinematográfica, dirigida por Walter Salles, que fez "Diários de Motocicleta" ["The Motorcycle Diaries", EUA, 2004], deverá ter início no começo do ano que vem). Todo mundo, de Bob Dylan aos Beastie Boys, foi inspirado por Kerouac.

Mais recentemente, o Hold Steady, um grupo de indie rock, citou "On the Road" no seu álbum "Boys and Girls in America". "Com a sua imagem de bad boy e a ética de trabalho irrestrita, Kerouac é como a versão rock and roll de um escritor", afirma Joe Landry, 31, o vocalista da banda Antecedents, de Portland, no Oregon. Assim como diversos outros grupos, o Antecendents aponta Kerouac como uma das suas influências na webpage da banda no MySpace.

Erick Barnum, gerente da livraria Northshire Bookstore em Manchester Center, no Estado de Vermont, diz que sempre mantém seis exemplares do livro à mão, um número bem superior ao de outros livros tão antigos. "Esse é um livro que a livraria precisa ter nas prateleiras, ou então alguém vai gritar: 'Como é que vocês não têm On the Road, de Kerouac?'", diz ele.

Mas ter o livro disponível pode ser difícil: entre os membros do universos dos livros, "On the Road" é conhecido por ser um alvo freqüente de furtos, afirma Robert Contant, um dos proprietários da livraria Saint Mark's Bookshop, em Nova York.

Contant, que diz ter vendido 36 exemplares do livro desde março - um número que "a maioria dos escritores contemporâneos invejaria" - mantém os livros de Kerouac guardados em uma caixa perto do balcão de informações, de forma que eles possam ser monitorados pelos funcionários. "O livro tem um grande valor nas ruas devido à imagem marginal", diz ele. "E para os jovens que vêm para Nova York existe uma idéia romântica a respeito da era beatnik".


Pergaminho original de "On the Road", com 36,5 metros de comprimento

Penny Vlagopoulos, uma aluna de pós-graduação da Universidade Columbia (universidade na qual Kerouac estudou), que dá aulas sobre o livro lá e na Universidade de Nova York, diz: "Ainda acho que esse romance é um rito de passagem. Toda essa idéia da liberdade da estrada aberta ainda está bastante viva para os jovens".

Michael Heslop, 30, diz ter lido "On the Road" pela primeira vez como aluno do último ano do segundo grau e que relê o livro de dois em dois anos. Em 2004, ele abriu o Kafe Kerouac, um café, loja de discos, livraria e espaço de apresentações artísticas em Columbus, no Estado de Ohio. "Eu queria que o nome do estabelecimento fosse o de um escritor norte-americano que eu admirasse", conta Heslop. "Jack Kerouac parecia ser a essência do café independente underground, mais do que Hemingway ou Mark Twain". (Ele também serve uma curiosa bebida Kerouac, à base de avelã, menta e leite. "É difícil batizar café preto puro com o nome de alguém", diz Heslop.)

Em verdadeiro estilo beat, o Kafe Kerouac organiza sessões de leitura de poesias e de apresentação de músicos, e atrai uma multidão de universitários. Nina Hernandez, 23, uma funcionária do café, leu "On the Road" pela primeira vez um ano atrás.

"Gosto do fato de ele não ter se norteado por regras. Ele simplesmente colocou todas as convenções de lado e escreveu aquilo que estava pensando", diz ela.

Mas Hernandez, estudante de engenharia industrial, também diz que nunca tinha ouvido falar de Kerouac até ter começado a trabalhar no café. E, ela observa, o livro tem as suas falhas: "Às vezes eu o acho um pouco prolixo".

Nos meios acadêmicos, "On the Road" tem uma reputação mista. "Não creio que o livro seja levado a sério pela maioria dos acadêmicos e críticos literários", afirma Bill Savage, professor do departamento de inglês da Universidade Northwestern, na qual dá aulas sobre "On the Road" há duas décadas. "Mesmo assim, os meus alunos sentem uma conexão bastante pessoal com o livro. Os estudantes de graduação são capazes de fato de se identificar com ele porque vivem em um mundo muito marcado pelas mídias, no qual há a Internet, o telefone celular e o iPod. Existem tantas maneiras pelas quais o indivíduo não está de fato no lugar em que se encontra, e Kerouac diz respeito a estar no local exato em que se está".

Porém, alguns alunos rejeitam o livro, taxando-o de ultrapassado. Ann Douglas, uma acadêmica beat que dá aulas sobre o livro há mais de 25 anos na Universidade Columbia, reconhece que os alunos não o aceitam como um "evangelho". "Eles o criticam sob diversos ângulos diferentes, descobrindo, por exemplo, que o autor é condescendente com os mexicanos e as mulheres".

Mas Douglas diz que o seu seminário sobre o movimento Beat conta com um número de candidatos seis vezes maior que o de vagas, e que o livro ainda tem um forte impacto, em parte porque ela dá aos seus alunos a tarefa de escrever um ensaio autobiográfico com o estilo espontâneo que Kerouac tornou famoso.

"Invariavelmente, os alunos criam os melhores textos de suas carreiras", diz ela. "É uma conclamação para deixar de lado o temor quanto ao que as outras pessoas dirão e o que a família espera, e encontrar uma voz que seja realmente aquela do aluno".

Na livraria City Lights Books, um marco literário de São Francisco (ela vende mil cópias de "On the Road" por ano), Lawrence Ferlinghetti, o poeta beat, editor e co-fundador do estabelecimento, demonstra espanto com o sucesso contínuo do livro.

Ferlinghetti, 88, contrasta o trabalho de Kerouac com "Look Homeward, Angel", de Thomas Wolfe, que, segundo ele, "é o tipo de livro que você lê quando tem 18 anos e acha maravilhoso, mas quando o relê aos 35 ou 50 anos, fica embaraçado devido ao estilo exageradamente romântico e a exuberância floreada".

Mas, tendo lido "On the Road" quando o livro foi lançado e ele tinha pouco mais de 30 anos, e o relido no mês passado, Ferlinghetti afirma: "Pode-se dizer que 'On the Road" ainda tem a mesma mágica".

Publicado no UOL Mídia Global.

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