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sábado, 24 de setembro de 2005

Americanos acordam para o absurdo da guerra

Por Temis Tormo, da Agência EFE

Cem mil pessoas contrárias à guerra do Iraque se reuniram hoje, na maior manifestação de repúdio ao presidente George W. Bush registrada em Washington, aproveitando a realização da Assembléia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM). Pela primeira vez desde os atentados de 11 de setembro foi autorizado que uma manifestação passasse pelo trecho da Avenida Pensilvânia, diante da residência do presidente.

"É preciso se mobilizar", disse Laura Guerra, uma manifestante de origem mexicana procedente de Chicago, que junto a um grupo de amigos viajou de ônibus à capital para criticar o recrutamento militar de hispânicos.

A maioria dos manifestantes pedia a volta das tropas para casa com cartazes, bandeiras e cores que identificavam sua procedência. Frases como "Bush mente, milhares morrem", "Fim à ocupação" ou "Qual é a causa nobre?" eram ouvidas ou lidas nos milhares de cartazes.

"Podemos ser patrióticos e pacifistas, mesmo que este Governo queira nos convencer do contrário", disse o veterano da primeira Guerra do Golfo, Dave Bills, de 34 anos e estudante de enfermagem em Austin (Texas). As formas de representar a barbárie causada pela guerra no Iraque foram tão variadas como os participantes, majoritariamente mulheres, de todas as idades, vindos de todas as partes do país, talvez com a única exceção da população negra, muito pouco representada.

"O presidente tem que trazer os soldados e reconhecer que errou", afirmou a estudante Lindsay Heiden, de 21 anos, após viajar 18 horas de ônibus desde Western Illinois University. Heiden é a responsável pelos cinco ônibus cheios de estudantes que voltarão nesta noite para casa, após o protesto.

"Queremos que nossa mensagem seja ouvida", acrescentou sua amiga Jessie Kallman, de 20 anos, enquanto preparava um cartaz.

"Bush não nos deixa ver nem os caixões. Ele os traz à noite, em segredo", comentou Beth Lemont, de 74 anos, voluntária de uma ONG na sede das Nações Unidas, em Nova York.

Grupos de budistas, franciscanos, nativos do Alasca e índios do Canadá se uniram para reivindicar paz nesta marcha com forte presença policial, na qual também estavam presentes grupos que apóiam a guerra no Iraque. Lemont disse que hoje os Estados Unidos são uma vergonha aos olhos do resto do mundo, pois de salvadores após a Segunda Guerra Mundial, os americanos se transformaram em invasores.

"Eu seria uma insurgente se fosse iraquiana", acrescentou.

A mesma razão trouxe de Seattle (Washington) Hannah Sadler, uma diretora de pessoal médico que organizou um protesto contra a guerra, realizado simultaneamente hoje em sua cidade. Grupos a favor do aborto e do casamento entre homossexuais aproveitaram o protesto para defender suas causas. Mas o protesto de hoje foi alimentado pela oposição à guerra do Iraque, talvez exaltada por causa da insatisfação com a lentidão da resposta do Governo ao desastre provocado pelo Katrina.

Publicado no UOL Notícias

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